20/12/2019 - Operação contra corrupção afasta prefeito, vice-prefeita e vereadores em Itapissuma
Notícia de licitações
 

G1 PE e TV Globo

 

Segundo a Polícia, esquema praticado por servidores desviou R$ 10 milhões dos cofres públicos. Dinheiro era pago para pessoas participarem de comícios e passeatas políticas.

 

O prefeito, a vice-prefeita, quatro secretários municipais e três vereadores de Itapissuma, no Grande Recife, foram afastados dos cargos por determinação da Justiça, nesta sexta-feira (20) (veja vídeo acima). As determinações surgiram durante uma operação deflagrada pela Polícia Civil, que apura o desvio de R$ 10 milhões do poder público municipal, pago para cabos eleitorais, segundo a investigação.

 

O secretário de Governo do município, Jefferson Menezes, foi um dos que permaneceu no cargo. Ele negou as acusações de desvio e afirmou que, mesmo sem o chefe do Executivo, a gestão segue funcionando.

 

Ao todo, segundo a Polícia Civil, foram emitidos cinco mandados de suspensão de cargo eletivo, 12 de afastamento de função pública, além de 21 de busca e a quebra de sigilo bancário dentro da Operação Dragão do Mar, que apura crimes de corrupção, entre outros. Ao todo, 156 policiais civis foram escalados para a operação.

 

O prefeito Zé de Irmã Teca (PSD) e a vice, Irmã Elionilda (PP), além do presidente e o vice-presidente da Câmara dos Vereadores de Itapissuma, foram alvos dos mandados nesta sexta. O G1 tentou, mas até a última atualização desta matéria, não conseguiu localizar as defesas dos políticos.

 

Entre os crimes investigados estão peculato, que é a corrupção de servidores públicos, falsidade ideológica, dispensa de licitação fora das possibilidades legais, crimes de responsabilidade e formação de quadrilha.

 

Também foi determinada a suspensão do programa “Frente de Serviço” e a proibição dos investigados entrarem em contato com as testemunhas. Os mandados foram autorizados pelo desembargador Alexandre Guedes Alcoforado Assunção.

 

O secretário de Governo afirmou que a Frente de Serviço foi criada por decreto em 1983 pelo então prefeito do município. "São cerca 1.200 mulheres que trabalham 4 horas de semana durante cinco dias. Trabalham uma semana e folgam três meses. Elas recebem R$ 220 em dinheiro e assinam o recibo. Isso funciona desde 1983 da mesma forma", alegou Menezes.

 

Segundo o secretário, o decreto foi transformado em programa social, que deveria começar a funcionar em 2020. Com isso, as mulheres deixariam de receber em dinheiro para poder fazer saques usando cartão. Menezes afirmou, ainda, que o programa não era um forma de emprego, mas sim uma ajuda a mulheres pobres do município.

 

O esquema

 

Durante as investigações, iniciadas em junho deste ano, a Polícia Civil constatou que cerca de R$ 10 milhões foram desviados dos cofres públicos. O trabalho, comandado pela delegada Viviane Santa Cruz, segue em andamento.

 

"Eles pegavam dinheiro da Assistência Social, para pessoas mais carentes, e pagavam pessoas para fazer limpeza urbana. Quem recebia esses recursos tinha que participar de comícios e passeatas da gestão municipal", afirmou o delegado Jean Rockfeller, da Diretoria Integrada de Polícia Especializada.

 

Ainda de acordo com a polícia, o esquema era feito dessa forma porque o município não tinha licitações para a execução de serviços de limpeza urbana. "Isso já é um indício de que havia algo errado", afirmou Rockfeller.

 

Com o afastamento, a previsão é de que o segundo secretário da Câmara de Vereadores assuma a prefeitura. "É uma situação grave, mas tenho certeza de que vai ficar muito melhor do que estava agora", declarou o delegado.

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